segunda-feira, 24 de setembro de 2007
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Glória, glória, aleluia!
Mais de um ano parado devido às obras do túnel do Rossio, regressou para nos poupar
as caminhadas esfalfantes colina acima!
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Paris at night
Trois allumetes, une à une allumées dans la nuit
La première poir voir ton visage tout entier
La seconde pour voir tes yeux
La dernière poir voir ta bouche
Et l'obscurité toute entière pour me rappeler tout cela
En te serrant dans mes bras.
Jacques Prévert
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Ballester
Antes das férias emprestei à G. um livro "antigo" : o primeiro volume da triologia Os prazeres e as sombras - Vem aí o senhor, do escritor galego Gonzalo Torrente Ballester(1910-1999).
A triologia começou a ser editada por cá em 1997 após a passagem na RTP2, a altas horas da noite, de uma série de televisão baseada no livro e o espaço de tempo que medeou a saída dos três volumes pareceu-me uma eternidade, tal era a minha vontade de prosseguir a descoberta da narrativa. Infelizmente, na altura, poucos foram os meus amigos que se deixaram contagiar pelo meu entusiasmo e não me lembro que algum tenha lido estes livros.
Hoje, no regresso de férias, os olhos da G. brilhavam ao falar-me de Vem aí o senhor e contou-me a pressa que tinha de ler o resto da história (os restantes volumes estão esgotados e encomendou-os on-line, mas nunca mais chegam).
Adivinho boa conversa para o Outono. Talvez compre castanhas.
domingo, 9 de setembro de 2007
Ilustrarte
Com a ilustração ( pintura e colagem ) da história Hansel e Gretel dos irmãos Grimm, a alemã Susanne Janssen venceu esta semana a 3ª edição da Ilustrarte, Bienal Internacional de Ilustração para a Infância, promovida pela C.M. do Barreiro. A exposição da bienal inaugura a 10 de Novembro, no Auditório Municipal Augusto Cabrita, no Barreiro.

Le petit Chaperon rouge, Seuil Jeunesse, 2002

Peter Pan, Être Éditions, 2005
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Como se o mundo não tivesse Leste ( I )

Comecei ontem a ler mais um livro do antropólogo angolano Ruy Duarte de Carvalho, Como se o mundo não tivesse leste, Cotovia, 2003.
Não resisto a deixar aqui o primeiro pedaço de encanto:
"... A seca é um drama que ciclicamente se repete nas calcinadas vastidões desses dilatados suis. Mas nem a consciência de uma tal constância lhe minimiza um travo a morte e a perca.
Desidrata-se a terra, desidratam-se as ramas, altera-se a cor do mundo: embranquece o céu, escurece o capim.
Apartam-se os horizontes. Os montes ganham distância, mergulhados numa espessa e nublosa atmosfera, ofuscante em si mesma, opressiva de brumas e poeiras. Dir-se-ia que o ar coalha em goma, poalha de cal, fumaça de enxofre.
Enrola-se o tempo. Já não há estações que o meçam. Renovam-se as luas, sem sinais que as distingam de outras luas. Um mundo muito igual, os dias sobre os dias e nem um vento para cruzar-se firme com as direcções sabidas de outros ventos, a mesma luz, o mesmo sol, as mesmas noites frias."
Pastores, transumância, sudoeste de Angola, território Kuvale. Gostava de voar para lá.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Tim Burton

Tim Burton recebeu ontem o Leão de Ouro Honorário no Festival de Veneza. Gostava de ter lá estado a bater palmas!
Segundo o director da Bienal de Veneza, Marc Muller, o Leão de Ouro honorário consagra aqueles «que põem magia e imaginação no mundo do cinema». De facto, dificilmente me ocorreria o nome de um realizador vivo mais merecedor de um prémio com estas características.
Eduardo Mãos de Tesoura, Estranho Mundo de Jack, e num outro registo, Ed Wood, são filmes que guardo no lugar que destino a tudo aquilo que me fascinou pela estranheza como a fantasia se pode apresentar no mais delirante jogo entre a magia, a candura e o horror.
Se os filmes de Tim Burton me fazem correr para uma sala de cinema - na Primavera teremos Sweeney Todd - , o livro por ele escrito e ilustrado, A Morte Melancólica do Rapaz Ostra & Outras Estórias, editado em 2000 pela desaparecida editora Errata e reeditado recentemente pela Antígona, é o mais precioso conjunto de histórias sobre rapazes e raparigas diferentes (... como Eduardo e as suas mãos de tesoura) que conheço.
Segundo o director da Bienal de Veneza, Marc Muller, o Leão de Ouro honorário consagra aqueles «que põem magia e imaginação no mundo do cinema». De facto, dificilmente me ocorreria o nome de um realizador vivo mais merecedor de um prémio com estas características.
Eduardo Mãos de Tesoura, Estranho Mundo de Jack, e num outro registo, Ed Wood, são filmes que guardo no lugar que destino a tudo aquilo que me fascinou pela estranheza como a fantasia se pode apresentar no mais delirante jogo entre a magia, a candura e o horror.
Se os filmes de Tim Burton me fazem correr para uma sala de cinema - na Primavera teremos Sweeney Todd - , o livro por ele escrito e ilustrado, A Morte Melancólica do Rapaz Ostra & Outras Estórias, editado em 2000 pela desaparecida editora Errata e reeditado recentemente pela Antígona, é o mais precioso conjunto de histórias sobre rapazes e raparigas diferentes (... como Eduardo e as suas mãos de tesoura) que conheço.

São vinte e três pequenas histórias em verso, umas engraçadas, outras carregadas de tristeza e melancolia, por vezes no limite do suportável.
Não é um livro para crianças pequenas, embora o possam ler com agrado. Mas é um livro para crianças, whatever that means!
Não é um livro para crianças pequenas, embora o possam ler com agrado. Mas é um livro para crianças, whatever that means!

A Rapariga Vodu
É feita de retalhos,
tem pele de algodão
tem pele de algodão
e muitos alfinetes coloridos
saídos do coração
Tem um magnífico par
de olhos em espiral
por si utilizados
para hipnotizar namorados.
Tem muitos zombies diferentes
de que nunca se cansa.
Até tem um zombie
oriundo de França.
Mas sabe que não pode vencer
a sua terrível maldição,
pois se alguém de aproxima dela
perfura-lhe o coração.
Tim Burton, "A Morte Melancólica do Rapaz Ostra & Outras Estórias"
sábado, 1 de setembro de 2007
Longa viagem
Ítaca
Quando partires de regresso a Ítaca,
deves orar por uma viagem longa,
plena de aventuras e de experiências.
Ciclopes, Lestrogónios, e mais monstros,
um Poseidon irado — não os temas,
jamais encontrarás tais coisas no caminho,
se o teu pensar for puro, e se um sentir sublime
teu corpo toca e o espírito te habita.
Ciclopes, Lestrogónios, e outros monstros,
Poseidon em fúria — nunca encontrarás,
se não é na tua alma que os transportes,
ou ela os não erguer perante ti.
Deves orar por uma viagem longa.
Que sejam muitas as manhãs de Verão,
quando, com que prazer, com que deleite,
entrares em portos jamais antes vistos!
Em colónias fenícias deverás deter-te
para comprar mercadorias raras:
coral e madrepérola, âmbar e marfim,
e perfumes subtis de toda a espécie:
compra desses perfumes o quanto possas.
E vai ver as cidades do Egipto,
para aprenderes com os que sabem muito.
Terás sempre Ítaca no teu espírito,
que lá chegar é o teu destino último.
Mas não te apresses nunca na viagem.
É melhor que ela dure muitos anos,
que sejas velho já ao ancorar na ilha,
rico do que foi teu pelo caminho,
e sem esperar que Ítaca te dê riquezas.
Ítaca deu-te essa viagem esplêndida.
Sem Ítaca, não terias partido.
Mas Ítaca não tem mais nada para dar-te.
Por pobre que a descubras, Ítaca não te traiu.
Sábio como és agora, senhor de tanta experiência,
terás compreendido o sentido de Ítaca.
Konstantinos Kavafys / Tradução de Jorge de Sena
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